Headhunter D.C.

2012, um número aparentemente sem qualquer simbolismo especial, cármico, místico que seja, mas que quando encarado como um então ano corrente logo nos fez lembrar da carga profética que o envolvia, a da predição de que o mundo como este que conhecemos hoje encontraria o seu fim absoluto, segundo o calendário Maia. A sensação foi a de que algo de abalar todas as estruturas, físicas, espirituais e transcendentais realmente se aproximava… e a passos rápidos.

2012 também marcou o 25º aniversário da banda de death metal mais antiga em constante atividade do norte/nordeste brasileiro – e certamente uma das mais antigas do mundo com esse mesmo status –, pioneiros da música extrema na “terra sem salvação”, Headhunter Death Cult. E se é de “abalo de estruturas” que estamos falando, é melhor que se preparem…

A existência do Headhunter D.C. está praticamente ligada à história do death metal, pois a banda faz parte do desenvolvimento inicial, propagação e manutenção do estilo em seu estado mais puro mundo afora. Esse verdadeiro culto do metal da morte brasileiro foi formado no outono de 1987 pelo guitarrista Paulo Lisboa, em Salvador, Bahia, Nordeste do Brasil, após a dissolução de sua primeira banda, o Túmulo, e durante seu mais de ¼ de século de ininterruptas atividades no underground, vários integrantes passaram pelo grupo, todos contribuindo solidamente para que o Headhunter D.C. se tornasse o que é hoje: um sábio conhecedor do segredo da forja perfeita, extraindo das entranhas da morte o mais genuíno death metal.

“Hell is Here”, demo tape 1989, “Born…Suffer…Die”, o debut LP, de 1991 (relançado em CD em 2002), “Punishment at Dawn”, LP, de 93 (relançado em CD em 2011), “Promo Tape ’96”, “…And the Sky Turns to Black… (the dark age has come)”, CD/Picture LP, de 2000 (posteriormente relançado em 2001 e 2005), “Brazilian Deathkult Live Violence…”, live tape, de 2002, “…In Deathmetallic Brotherhood” split 10” MLP, de 2007, “God’s Spreading Cancer…”, CD/LP, também de 2007, além das usuais gravações de ensaios espalhados na cena no início da carreira e mais posteriormente diversas participações em compilações nacionais e internacionais, são as oferendas do culto da morte rumo à merecida conquista de um status de banda cult dentro do universo do verdadeiro death metal underground atual – até que o fim do mundo foi finalmente anunciado e, com ele, sua trilha sonora oficial…

Emoldurado em negras e densas nuvens, 2012 teve o seu álbum definitivo: o eterno culto da morte emergiu das sombras com esse que é o seu mais impactante trabalho em 25 anos de uma irrepreensível jornada. Se a história desses mestres brasileiros do blasfemo e obscuro death metal sempre surpreendeu pela autenticidade, lealdade, genialidade e pura brutalidade mórbida, é em “…In Unholy Mourning…” (2012) que o espírito aprisionado do desespero, do drama e da desesperança ascende e alcança a sua mais perfeita e maldita forma, tão almejada por muitos, mas alcançada apenas por poucos, através de funestas e taciturnas melodias, desencadeando horrores e abominações sônicas… O que se sente nessa obra majestosa é a imponente vitória do real sentimento anticristão traduzida em terror musical, como uma escultura complexamente demoníaca que esperou duas décadas e meia para ganhar vida em forma de morte… de metal da morte! Tudo aqui é impiedoso! A grande orgia de notas e estruturas decadentes, unidas a timbres abismais, dramáticas vociferações e uma atmosfera assombrosamente carregada tem nesse registro o seu ápice. Ouvir “…I.U.M…” é como uma viagem rumo a antigos cemitérios de nostalgia, onde monumentos fúnebres de deus, vazios e sem uso, fazem ecoar réquiens para os desgraçados e preces negras para “aquele” que já se foi… Onde toda a fé é banida e toda salvação está perdida… São dez mórbidas oferendas de pecado e heresia em forma de blasfemo e brutalizante unholy death metal da mais alta classe, criando assim um novo ciclo no universo de trevas do culto da morte… A capa é assinada pelo renomado artista espanhol Mr. Juanjo Castellano, que traduziu fielmente através de um magnífico trabalho todo o conceito por trás do título do álbum. Uma verdadeira obra-prima da morte!

Com mais um “adiamento” do fim do mundo, em 2013 o Headhunter D.C. anuncia o seu próprio conceito de armagedom em forma de uma primeiríssima turnê pelo velho mundo, abrangendo, entre os meses de abril e maio, 9 países em dezoito datas, a “…In Unholy Mourning for God… European Tour 2013”. No mesmo ano, a banda tem reeditado o seu lendário show de 1995 na cidade de Itabuna, Bahia, inicialmente lançado em cassete em 2002 e agora disponibilizado em CD sob o título “Brazilian Deathkult Live Violence…”, ao mesmo tempo em que também tem os seus álbuns de 2000 e 2007 relançados em edições especialmente remasterizadas, com capas extras em slipcase e faixas bônus.

O início de 2014 é marcado pelo tão esperado lançamento de “…I.U.M…” na Europa pelo selo alemão Evil Spell Records contando com um cover do Mortem como bonus track exclusivo, e em setembro é lançado o primeiro volume do álbum-tributo à banda via Mutilation Records intitulado “Born to Punish the Skies… A Deathmetallic Brotherhood in Darkest Mourning for God – Tribute to Headhunter D.C.” contando com dezessete bandas de diferentes partes do mundo, sendo este o primeiro tributo a uma banda 100% death metal brasileira. O segundo volume é lançado no segundo semestre de 2016 e conta com mais dezessete bandas prestando tributo ao Headhunter D.C. Em abril de 2015 “…I.U.M…” ganha mais um formato, dessa vez um double tape box set através da Raw Blackult Prodctions (BOL) contendo a pré-produção do álbum como material bônus especial, e no início de 2016 é finalmente lançada sua versão vinil, também via Evil Spell Records. Já em Agosto de 2016 a banda tem lançado via Bestial Invasion Records (UK) o CD ao vivo “Death Kurwa! Live in Warsaw 2013”, gravado em Varsóvia, Polônia, durante a turnê europeia de 2013 e lançado em parceria com o Necroscope Zine para comemorar a edição especial de jubileu do tradicional fanzine polonês. Ainda em 2016, “Born…Suffer…Die” é relançado numa edição especial de 25 anos em CD/DVD via Cogumelo/Mutilation Records.

Completando trinta anos de atividades ininterruptas no underground e serviços prestados ao death metal em 2017, sendo assim a mais antiga banda de metal extremo em constante atividade do Brasil, o Headhunter D.C. já encontra-se em fase de desenvolvimento de seu novo material e promete um novo álbum de inéditas para 2018 para celebrar essas três décadas de puro culto da morte. Em Junho de 2017 a banda sai para mais uma turnê sulamericana, quando dividem o palco com outro grande pioneiro do death metal na América do Sul, Mortem, do Perú, mais um grande acontecimento em sua história, dando continuação às comemorações do jubileu profano de trinta anos. Em Julho é oficialmente anunciada a saída de seu membro fundador Paulo Lisboa da banda, encerrando um longo ciclo para o início de uma nova era de profanação musical e ideológica do culto da morte. Para ocupar o seu lugar foi convocado Tony Assis (Insaintfication, Ungodly, ex-Carnified e Mystifier), antigo parceiro da banda e que já fez sua estreia onstage em dezembro do mesmo ano.

Como disse certa vez uma antiga publicação europeia de metal: “Enquanto certas bandas desistem logo ao primeiro sinal de dificuldade, o Headhunter D.C. parece que existirá eternamente (…)”. E assim o será, com ou sem o fim do mundo, mas com o Headhunter Death Cult sempre honrando o verdadeiro metal da morte, brutal, profano e obscuro como nasceu para ser.

O luto profano está apenas começando… Salve!

*Fernando Rômbola/Hardman Neto/The Heretic Inc.

Formação:

Sérgio “Baloff” Borges – vocal

George Lessa – guitarra

Tony Assis – guitarra

Zulbert Buery – baixo

Daniel Brandão – bateria

Discografia:

Born…Suffer…Die (1991)

Punishment at Dawn (1993)

…and the Sky Turns to Black… (The Dark Age Has Come) (2000)

God’s Spreading Cancer (2007)

…in Unholy Mourning… (2012)

Contato:

puredeathcult@hotmail.com

www.facebook.com/headhunterdc